sexta-feira, 30 de outubro de 2009

o não leviano



as vezes eu queria poder fechar as minhas portas e janelas para o mundo. lacrar bem as frestas e não deixar que ninguém visse o que se passa aqui dentro. queria poder bloquear as pessoas ao vivo. queria poder não responder a perguntas que eu não faço questão. queria que respostas simples deixassem as pessoas satisfeitas... larguei a faculdade porque sim, corto os cabelos que nem menino porque gosto, troco de amigos porque me sinto bem assim, prefiro isso porque é melhor pra mim, aquilo porque me faz mais feliz, faço assim porque é mais legal. não quero mais responder que estou amando a cidade e que morar com muita gente num lugar pequeno não é tão mal assim. chega de perguntas sobre meus livros, minhas músicas, meus trajetos, meus planos, meus motivos, minha vida. só por hoje eu queria poder fechar a janela e assistir as coisas bem quietinha daqui de dentro.

domingo, 25 de outubro de 2009

sobre o terror e copos de cerveja.

a inspiração não vinha. a noite era quente e o morro era alto, de modo que ficava complicado pensar, subir e suar ao mesmo tempo. o rímel escorria pelas bochechas por tantos motivos que nem lembro mais.
eu, chorando no sinal. foi ruim. só dava pra considerar olhar para trás porque tinham coisas de valor lá. valor material, eu quis dizer. o valor sentimental se esvaía, pouco a pouco, de modo que ele quase anulava o valor material. eu não queria e nem podia olhar pra trás. o que tinha que fazer era seguir em frente, sempre em frente, como se daquilo dependesse a minha existência.
o braço sangrava e também o coração. quando ele me alcançou, um dos sangramentos já tinha estancado. o outro ainda escorre até agora...
nós, discutindo no sinal. foi ruim. os mendigos assistindo, os carros passando, as luzes da noite me cegando. me sentia mais do que sóbria naquele momento. minhas unhas roxas apertavam a pele da minha mão branca. queria socá-lo, machucá-lo, sentir o sangue dele escorrendo pelos meus braços e se juntando ao meu, queria ver aquela fusão, aquela mistura que tanto ia significar...
não queria mais ouvir aquela voz, não queria mais sentir aquele cheiro, não queria mais ser cúmplice de coisas que eu detestava ver. minha mente girava, girava, girava...

(não sei escrever bonito, mas a cabeça das pessoas eu adoro dissecar. compensa?)